Há pessoas competentes que vivem com a sensação constante de que estão a enganar alguém. Recebem elogios, alcançam objetivos importantes e, mesmo assim, sentem que foi sorte ou que qualquer dia vão ser “apanhadas”. Se isto lhe soa familiar, não está sozinho. Esta experiência tem um nome: síndrome de impostor.
Apesar de ainda ser ser pouco falada, é muito comum. E não tem nada a ver com falta de talento ou preparação. Pelo contrário, aparece muitas vezes em pessoas exigentes, responsáveis e com elevado sentido crítico.
O que se entende por síndrome de impostor
A síndrome de impostor descreve um padrão psicológico em que a pessoa não acredita no seu próprio valor, mesmo quando existem provas claras das suas competências. O sucesso é visto como algo externo, quase acidental, enquanto os erros são interpretados como confirmação de incapacidade.
Não é humildade nem modéstia. É uma forma distorcida de avaliar a própria competência, que gera insegurança constante e desgaste emocional.
Porque é que tantas pessoas sentem que não são suficientes
Não existe uma causa única. A síndrome de impostor constrói-se ao longo do tempo.
Crescer em ambientes muito exigentes, onde o reconhecimento depende sempre do desempenho, pode criar a ideia de que nunca é suficiente. Contextos profissionais competitivos reforçam a comparação permanente. As redes sociais fazem o resto, dando a sensação de que os outros estão sempre mais confiantes, produtivos ou preparados.
Como a síndrome de impostor aparece no quotidiano
No dia a dia, a síndrome de impostor raramente surge como um pensamento isolado. A dúvida constante é um dos sinais mais claros. Mesmo depois de bons resultados, a pessoa questiona se realmente merece estar onde está. Existe medo de ser descoberto, especialmente em reuniões, avaliações ou novos desafios. As conquistas são rapidamente desvalorizadas e os elogios geram desconforto. Com o tempo, esta forma de pensar torna-se tão automática como respirar.
Quando o perfeccionismo e a autossabotagem entram em cena
Muitas pessoas respondem com perfeccionismo. Tentam antecipar todos os erros, trabalham em excesso, evitam delegar e sentem que nunca podem falhar. Outras fazem o caminho inverso e entram em autossabotagem: adiam tarefas, evitam oportunidades ou desistem antes de tentar, como forma de proteger a autoestima.
Em ambos os casos, o ciclo mantém-se. A insegurança alimenta o comportamento e o comportamento reforça a insegurança.
O impacto da síndrome de impostor na saúde mental
Sentir insegurança ocasional faz parte da experiência humana. O problema surge quando esta sensação passa a ser constante e começa a afetar o bem-estar diário.
A síndrome de impostor pode estar associada a ansiedade, stress prolongado, dificuldade em desligar do trabalho e baixa autoestima. Em alguns casos, contribui para sintomas depressivos ou esgotamento emocional. Quando a sensação de não acreditar no próprio valor já não passa sozinha, é um sinal de alerta.
Como tratar a síndrome de impostor de forma eficaz
A síndrome de impostor tem tratamento: acompanhamento psicológico. Em consultas de psicologia, trabalha-se a identificação dos padrões de pensamento, a origem das crenças negativas e a forma como a pessoa interpreta o sucesso, o erro e a crítica. O objetivo não é criar uma autoconfiança artificial, mas desenvolver uma visão mais realista e equilibrada sobre as próprias capacidades.
Este trabalho ajuda a reduzir a autocrítica excessiva, a lidar melhor com a dúvida e a reconhecer conquistas sem desconforto.
O papel das consultas de psicologia
As consultas de psicologia fazem diferença quando a síndrome de impostor começa a interferir no trabalho, nos estudos ou nas relações pessoais. Em consulta, é possível compreender porque estes padrões se formaram e aprender estratégias práticas para lidar com eles no dia a dia.
Para muitas pessoas, a consulta sem sair de casa facilita o primeiro passo. A telemedicina permite iniciar acompanhamento psicológico num ambiente familiar, com maior conforto e flexibilidade de horários.
Quando a consulta de psiquiatria pode ser necessária
Em algumas situações, a síndrome de impostor surge associada a sintomas mais intensos, como ansiedade marcada, perturbações do sono ou humor persistentemente em baixo. Nestes casos, a consulta de psiquiatria pode ser um complemento importante.
A psiquiatria não substitui a psicoterapia, mas pode ajudar a estabilizar sintomas que dificultam o trabalho emocional. Procurar este apoio é uma forma de cuidado, não um sinal de fragilidade.
Telemedicina e acesso facilitado à saúde mental
A telemedicina veio tornar o acesso à saúde mental mais simples e menos intimidante. Através da Teleconsulta Portugal, é possível marcar consultas de psicologia e consulta de psiquiatria de forma segura, confidencial e adaptada à rotina de cada pessoa.
Este modelo é particularmente útil para quem adia cuidados por falta de tempo, receio ou dificuldade em deslocar-se. O acompanhamento mantém-se próximo, mesmo à distância.
Quando faz sentido marcar consulta
Marcar consulta é um passo sensato quando a dúvida constante começa a limitar decisões, quando o medo de falhar condiciona oportunidades ou quando o desgaste emocional se prolonga. Se a sensação de não acreditar no seu valor está a afetar o bem-estar ou a qualidade de vida, procurar ajuda profissional é um gesto de autocuidado.
A síndrome de impostor é comum, tratável e não define quem é nem o que vale. Com apoio adequado, é possível quebrar este ciclo e construir uma relação mais saudável consigo próprio.
