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Uso excessivo de ecrãs e saúde mental: o impacto das redes sociais em crianças e adolescentes

Uso excessivo de ecrãs e saúde mental: o impacto das redes sociais em crianças e adolescentes
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O uso excessivo de ecrãs e problemas de saúde mental estão cada vez mais ligados na infância e na adolescência. Muitos pais começam por notar pequenas mudanças: um filho mais irritável, noites mal dormidas, menor interesse pela escola ou uma tendência crescente para o isolamento. No início, é fácil desvalorizar. Afinal, “todos usam”. A questão é perceber quando o uso das redes sociais deixa de ser apenas parte da rotina e passa a interferir com o equilíbrio emocional.

O que é, afinal, uso excessivo de ecrãs?

Falar em uso excessivo não é o mesmo que falar em muitas horas. A diferença está no impacto. Quando o tempo de ecrã compromete o sono, o humor, o rendimento escolar ou as relações, deixa de ser apenas entretenimento.

As recomendações internacionais sobre tempo de ecrã recomendado por idade ajudam a orientar, sobretudo nas idades mais novas, em que o contacto deve ser limitado e acompanhado. No entanto, mais importante do que o número exato de minutos é a qualidade do conteúdo e o equilíbrio com outras atividades. Se o ecrã começa a substituir o brincar ao ar livre, a leitura, a conversa à mesa ou o descanso adequado, há motivo para atenção.

Existem também sinais comportamentais claros: irritabilidade intensa quando o telemóvel é retirado, necessidade constante de verificar notificações, redução de atividade física, desinteresse pelas tarefas escolares ou alterações persistentes no padrão de sono. Quando estes sinais se mantêm ao longo do tempo, o impacto na saúde mental torna-se mais provável.

Como as redes sociais influenciam a saúde mental

O impacto das redes sociais na saúde mental não é uma hipótese teórica. Está descrito em vários estudos europeus recentes e é cada vez mais visível na prática clínica.

Um dos efeitos mais frequentes é o aumento da ansiedade. O uso excessivo de redes sociais em adolescentes expõe-os a comparação constante. Fotografias filtradas, vidas aparentemente perfeitas, sucesso imediato. Mesmo sabendo que se trata de recortes da realidade, a comparação acontece. Aos poucos, instala-se a sensação de insuficiência. Muitos jovens verbalizam exatamente isso: sentem que nunca estão à altura.

A baixa de autoestima surge muitas vezes associada a esta dinâmica. Quando a validação depende sobretudo de “gostos” e comentários, o valor pessoal passa a estar condicionado à resposta digital. A ausência de interação pode ser interpretada como rejeição. Pequenas críticas ganham um peso desproporcionado. A identidade, ainda em construção, torna-se vulnerável.

O sono é outra área fortemente afetada. A exposição a ecrãs, sobretudo à noite, interfere com o ritmo circadiano, o sistema biológico que regula o ciclo sono-vigília. A luz azul inibe a produção de melatonina e dificulta o adormecer. Os distúrbios do sono em crianças e adolescentes têm consequências claras na regulação de emoções. Um jovem que dorme mal está mais irritável, menos tolerante à frustração e mais suscetível a aumento da ansiedade.

Nas idades mais precoces, o consumo passivo pode atrasar o desenvolvimento da linguagem. A aprendizagem verbal depende de interação real, contacto visual e resposta imediata. Mesmo na adolescência, quando a linguagem já está adquirida, a comunicação digital tende a simplificar emoções. Emojis substituem palavras. Conversas presenciais tornam-se menos frequentes. Surgem dificuldades na expressão de sentimentos mais complexos, o que pode agravar conflitos e incompreensões.

Consequências que vão além do plano emocional

O impacto não se limita ao humor. Também se reflete no desempenho escolar e nas relações sociais.

O consumo frequente de vídeos curtos habitua o cérebro a estímulos rápidos e sucessivos. A atenção sustentada, necessária para estudar ou ler um texto mais longo, torna-se mais difícil. Professores relatam maior distração e menor capacidade de manter foco. O esforço mental prolongado gera frustração.

Ao mesmo tempo, o aumento do tempo de ecrã implica, quase sempre, redução de atividade física. Menos movimento significa maior risco de excesso de peso, mas também menos um dos principais reguladores naturais da saúde mental. A atividade física ajuda a reduzir a ansiedade e melhora o humor. Quando desaparece da rotina, essa proteção diminui.

Quanto às relações, estar constantemente online não garante proximidade emocional. Muitos adolescentes descrevem uma sensação de solidão apesar de estarem sempre ligados. As interações tornam-se mais superficiais. A qualidade das relações com pares pode diminuir, o que reforça sentimentos de isolamento.

Quando é altura de procurar ajuda

Nem todos os adolescentes que passam muito tempo nas redes sociais precisam de acompanhamento clínico. A diferença está na intensidade, na duração e no impacto funcional.

É motivo de maior preocupação quando há aumento da ansiedade persistente, baixa de autoestima que interfere no dia a dia, distúrbios do sono prolongados, queda acentuada no rendimento escolar ou isolamento marcado. Se estes sinais se mantiverem durante várias semanas e causarem sofrimento significativo, pode ser adequado procurar uma consulta de psicologia infantil.

A avaliação permite perceber se estamos perante uma fase transitória ou um padrão que exige intervenção estruturada. Muitas vezes, a intervenção precoce evita agravamentos futuros.

O papel da intervenção especializada

A consulta de psicologia oferece um espaço seguro para avaliar o impacto do tempo de ecrã na saúde mental, trabalhar estratégias de regulação de emoções, reforçar a autoestima e orientar os pais na definição de limites consistentes. Quando os sintomas são mais intensos, como ansiedade severa ou alterações significativas de humor, pode ser necessária avaliação em Psiquiatria.

A Teleconsulta Portugal disponibiliza consultas de Psicologia e Psiquiatria para crianças e adolescentes em formato online. Para muitas famílias, a possibilidade de acompanhamento sem deslocações facilita o acesso e reduz a resistência inicial do jovem. O foco não está em demonizar a tecnologia, mas em recuperar equilíbrio.

O que pode ser feito em casa

Antes mesmo de recorrer a apoio especializado, existem medidas práticas que podem fazer diferença. Criar limites claros e consistentes transmite segurança. Definir horários sem ecrãs, sobretudo antes de dormir, ajuda a prevenir distúrbios do sono. Substituir, em vez de apenas proibir, é fundamental. Atividade física, desporto, leitura ou tempo em família devem ocupar o espaço que o ecrã deixa livre.

O exemplo dos adultos também conta. Crianças e adolescentes observam os hábitos digitais dos pais. A coerência aumenta a eficácia das regras.

Ao longo deste tema, a questão central não é se a tecnologia deve ou não fazer parte da vida das crianças e adolescentes. Ela já faz. O verdadeiro ponto é perceber quando o uso excessivo de ecrãs começa a comprometer o desenvolvimento emocional e a saúde mental. Reconhecer sinais, agir com equilíbrio e, quando necessário, procurar apoio especializado é uma forma de cuidar com responsabilidade.

Para muitos pais, a dúvida é o primeiro passo. Transformá-la em ação informada pode proteger não só o presente, mas também o futuro emocional dos filhos.

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